quarta-feira, 22 de junho de 2011

O transporte das bitolinhas na CP.

Após o ano de 1904, com o encerramento das atividades da navegação fluvial da Cia Paulista em Porto Ferreira, a oficina de reparos pesados dos barcos a vapor também fechou. Nesta oficina eram feitos os reparos dos materias de bitola 60 cm da CP. Teve-se que, então, achar uma nova alternativa para a manutenção pesada das pequenas maquininhas e dos carros e vagões.

Vagões prancha foram adaptados a esse tipo de serviço, que conduzia o material até a oficina de manutenção. No caso de locomotivas até Jundiaí, e carros e vagões em Rio Claro.

Um dos modelos empregados era de fabricação "Middletown Car Company", dos EUA, fabricadas em 1926, com estrado metálico, piso de madeira. No desenho anexo abaixo vemos um dos modelos para "Transporte de Vehiculos". Haviam outros modelos, de transporte diversos. Especificas para veículos ferroviários, eram 14 pranchas.

Na fotografia acima, na cidade de Bebedouro, vemos a locomotiva 951 aguardando ser descarregada para compor o acervo do Museu Matarazzo (onde se encontra até os dias de hoje).

Algumas dessas pranchas, após o fechamento dos ramais de bitolinha e bitola de 1 metro (ja que estas pranchas serviam também ao transporte de bitola métrica), foram utilizadas em outras funções, existindo muitas delas enferrujando por ai até a presente data.

(agradecimento a Rafael Corrêa)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Tramway da Cantareira

Farei um pequeno resumo histórico, ja que esta é uma ferrovia que por si só ja merce um livro próprio. Sua história é muito vasta e muito apreciada. Ja foi tema de dezenas de teses, TCC's e pesquisas livres.


A cidade de São Paulo, em franca expansão, tinha sérios problemas de abastecimeto de água potável e recolhimento de esgotos.


A solução encontrada foi a criação de uma empresa para tal, que captaria água na Serra da Cantareira. Seu nome tem origem nos "cântaros", que eram vasos enormes, circulares, onde água era armazenada para uso (desde o antigo Egito). As enormes reservas naturais de água na serra deram a ela o nome de "cantareira", local onde haviam muitos cântaros naturais.


Em julho de 1877, na casa do Coronel Antônio Rodovalho (o mesmo fundador da Cia melhoramentos) deu-se à formação de uma companhia para melhorar o abastecimento de água e esgotos da cidade de São Paulo, a CIA CANTAREIRA E ESGOTOS. Em 22 de julho de 1878 foi oficializada em cartório.


No ano de 1892 a mesma foi encampada pelo Governo do Estado de São Paulo, que imediatamente deu inicio aos estudos de viabilidade para a construção de tramway de serviços, ligando os mananciais a capital. No dia 9 de novembro de 1894, os trilhos do tramway chegaram à estação do Pari, da SPR. Neste mesmo dia deu-se inicio ao transporte de materiais. Tal data considera-se a inaugurarão do Tramway da Cantareira.A população começou a reclamar, então, sobre trens de recreio aos domingos e feriados, devido à folga nos horários dos trens de serviço. Tal serviço foi autorizado em 23 de setembro de 1895. Posteriormente trens diários também foram implantados, um pela manha e outro pela tarde, atendendo a mais pedidos da população.


O T.C. formou-se Estrada de Ferro a partir de 1915 quando seus domínios atingiram a cidade de Guarulhos. Desde a criação do trafego de passageiros até 1912, existia somente uma única classe, com carros abertos do tipo “bonde”. Em 1913 foi criada uma segunda classe, por metade do preço da primeira.

O principal enfoque dos passageiros paulistanos (nos primórdios do T.C.) eram os piqueniques e tardes de lazer na serra da Cantareira. Em 1942, foi privatizado e adquirido pela Estrada de Ferro Sorocabana. Imediatamente iniciou-se o alargamento da bitola de 60 cm para 1 metro. O T.C. operou desde 9 de novembro de 1893 até 10 de novembro de 1964, possuía 35km de trilhos em bitola de 60 cm.

O trenzinho foi imortalizado na musica eleita simbulo de São Paulo, de Adoniram Barbosa, "Trem das 11", com seu inesquecivel refrão "...moro em jaçanã, se eu perder esse trem, que sai agora as 11 horas, só amanhã de manhã...".


Boa parte do seu antigo leito ainda existe, tornou-se algumas avenidas na zona norte da capital, e na cidade de Guarulhos. Na avenida Cruzeiro do Sul, em SP, o Metrô utiliza seu antigo traçado.


Três de suas locomotivas existem, e estão em tutela da Estrada de Ferro PErus Pirapora, serão restauradas, e farão parte do acervo histórico.