segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Locomotivas 920 e 921, as alemãnzinhas da CP.

Estas foram as ultimas locomotivas compradas pela Cia Paulista para seus ramais de bitolinha. Sem duvidas foram as maiores e mais fortes de sua frota. Foram compradas da alemã "Linke Hoffmann Werke", número de série 3084 e 3085, rodagem 2-6-2T, chegaram no Brasil entre setembro e outubro de 1927. Tais locomotivas chegaram na mesma época em que se extendia o ramal de Santa Rita entre as estações de Moema e Vassununga (em 1928 fora entregue). Este trecho distava-se quase 12 kilometros da última estação, e descia mais de 62 metros de altitude. O objetivo era atingir a Usina Vassununga (atual Santa Rita) para escoamento de sua produção de açúcar. O decreto n. 4202 de 10 de março de 1927, criado pelo Governo de São Paulo visiva "Obras novas e aumento de material rodante". Provavelmente, atravéz deste incentivo, a CP fez esta modernização de material com a compra de locomotivas e ampliação do ramal.



Trabalharam por aproximadamente 33 anos pela Cia Paulista. Com o fechamento dos ramais de 60 cm em 1960, foram postas a venda. uma delas foi comprada pela estrada de Ferro Perus Pirapora (920 - SN 3084) e renumerada para 9. Seus tanques laterais de água e a chaminé balão foram retirados e um tender foi anexado. Contam os funcionarios antigos que, por ser uma locomotiva muito grande, balançava demais nas curvas e criava medo nos maquinistas, estes deixaram sua caldeira "queimar" para inutiliza-la. Atualmente apenas o longerão (chassis) existe, e esta aguardando salvameto na famosa fila-da-morte, em Cajamar. A foto abaixo esquerda é uma das raríssimas onde a alemã aparece como EFPP. Trabalhando ainda na CP, o autor deste possui apenas uma única foto, ao longe.

A outra maquina (921 - SN 3085) foi vendida para uma usina de açúcar no nordeste, a Serra Grande, no estado de Alagoas. Também renumerada, curiosamente com o número 8, porém, sua bitola foi alargada para 1 metro. Com o fechamento das atividades ferroviárias desta usina, a maquina foi novamente vendida e atualmente encontra-se na cidade de Taubaté em São Paulo, tracionando um trem turístico mantido pela prefeitura. Podemos vê-la na foto abaixo da direita. Atualmente esta é a única das bitolinhas CP que ainda fuinciona, e é a única que nunca parou de funcionar desde sua compra em 1927.
























quinta-feira, 4 de agosto de 2011

H.K. Porter Co. Inc e suas ultimas locomotivas.

Acima vemos uma fotografia tirada por Fábio Dardes em 1975, no pátio de Cajamar em SP. Esta é a locomotiva numero 7 da Estrada de Ferro Perus Pirapora, e tem sua irmã, a locomotiva numero 6, idêntica. Ambas fabricadas pela americana HK Porter em abril de 1945 sob numero de série 7913 e 7914, respectivamente.

Existem alguns detalhes bem interessantes sobre essas maquinas. São maquinas com rodagem 2-6-2, do tipo "praire" (pradarias, em inglês). Seu projeto é baseado em algumas maquinas similares, mas da marca Baldwin, construidas para a Sandy River RR nos EUA. Tecnicamente são belas e imponentes locomotivas, que ja vieram de fábrica com dispositivo para a queiam de óleo na fornalha.
A empresa H.K. Porter, fundada por Henry Kirke Porter em 1866, no começo de sua carreira prestava serviços industriais. Em 1867 recebe um grande pedido de 43 locomotivas para construção. Sua especialidade era a fabricação de pequenas locomotivas do tipo tanque para uso industrial. Após enfrentar uma grave crise, causada por um incêndio em sua fábrica, em 1890 ele se ergue novamente, com um conceito interessante de peças intercâmbiáveis para todos os tipos de locomotiva, tais como cilindros, rodas, braçagens e todos os aparatos necessários. É interessante ver o catálogo da empresa, pois podia-se, além de pedir locomotivas, pedir uma roda apenas, um eixo, um lado do chassis, muito incomum para qualquer outra empresa da época. Ja na virada do século XIX para o XX, Porter constrói a primeira locomotiva a gasolina, e a primeira locomotiva sem fornalha (Fireless). Nos anos 30, mais dificuldades financeiras quase levam a empresa a falência, que foi evitada pela segunda grande guerra, porém, a demanda por locomotivas cai muito após a guerra, Porter torna-se uma empresa holding de outras subsidiárias.

Neste ponto, a história desta empresa e a história das bitolinhas no Brasil une-se. As locomotivas 6 e 7 foram as últimas locomotivas de bitola 60 cm construidas noa EUA. Interessante citar também que a ultima locomotiva construida pea Porter veio para o Brasil, para a ACESITA, uma 0-4-0 bitola de 1 metro, numero de série 8275 de 1950. A Porter até os dias de hoje ainda existe, e atua na área de cosntrução de ferramentas em geral.

Ja as locomotivas 6 e 7 aguardam voltarem a ativa na EFPP, e atualmente estão estacionadas no pátio de Gato Preto, em Cajamar.


(informações compiladas de sites da internet e livros do autor, com ideia e informações sugeridas por Nicholas Burman)