terça-feira, 25 de outubro de 2011

A primeira locomotiva 100% nacional (e é bitolinha!).







Após ler uma reportagem no Boletim número 7 do IFPPC, onde o amigo Alex Leão escreve sobre esta tão importante locomotiva, decidi reportar também um pequeno histórico que ja estava embrionada a algum tempo.

Esta locomotiva foi construida em Janeiro de 1938 sob projeto do gênio da mecânica "João Bottene", de Piracicaba. Bottene é considerado um gênio da mecânica, talvez muitos de vocês não o conheçam, mas entre tantos feitos, ele inventou o motor a alcool! Mereceria uma biografia, pois desde criança ja demonstrava seus dotes para a mecânica. Trabalhava na oficina de seu pai, a famosa oficina Bottene em Piracicaba, onde inclusive as locomotivas da EFS eram arrumadas por la. Com a crise do café nos anos 30 e desavenças políticas, a EFS corta relações com os Bottene, que, após idas e vindas na revuloção de 32 se veem obrigados a vender sua oficina para Pedro Morganti, com algumas clausulas, evidentemente. Esta venda é favorecida por causa da ascenção da industria açúcareira.


Desta feliz iniciativa, surge o projeto e construção em Janeiro de 1938 da locomotiva número 1 da Usina Monte Alegre, totalmente projetada e construida por Bottene. Há controvérsias nisso pois há quem diga que ele foi construida com partes de uma locomotiva alemã. Particularmente acho essa teoria pouco provável, pois tal locomotiva alemã citada nada tem a ver mecânicamente com a construida por Bottene.

A locomotiva 1 da UMA é muito interessante, e carrega em si um design peculiar adotado por Bottene e seus funcionários, com um "bico" formado por seu tanque de água e a tampa da caixa de fumaça. É uma locomotiva 2-6-2ST outside-frame que queima lenha. Originalmente possuia chaminé reta, que fora trocada por "balão". Ela tinha uma outra característica bem interessante, um "burrinho d'água" instalado do lado do maquinista (outra característica comum as locomotivas fabricadas por Bottene). Esta maquina levava o nome "Fuvio Morganti".

Bottene construiu outras locomotivas, sendo que mais uma delas encontra-se em Guarulhos-SP, porém esta é de bitola de 1 metro, mas carrega as mesmas características de design.
























A locomotiva 1 da U.M.A. terminou sua vida na Estrada de Ferro Perus Pirapora, sob o número 18. Sofreu uma modificação, mas não posso afirmar se na EFPP ou na UMA. Teve seu tender encurtado (notem nas fotografias que ilustram o artigo). Nunca foi alterado seu combustível e sempre queimou lenha. As fotografias mais comuns dela em serviço são no pátio de Cajamar manobrando as gondolas de calcário, remontando trens e levando-as ao britador.



Nos anos finais da operação na EFPP, quando a ferrovia ja estava quase fechando, chegaram a converter algumas locomotivas de óleo para lenha (devido ao preço do óleo BPF), e utilizaram por um curto periodo de tempo a 18 para tracionar, com tração dupla, os trens de carrera. Na ultima foto abaixo vemos a locomotiva 18 em tração dupla com a 17, a todo vapor manobrando gôndolas no britador de Cajamar. Este não existe mais pois foi engolido pela mina da pedreira.

Por fim, a atual locomotiva 18 aguarda restauro dentro das oficinas do Gato Preto, em Cajamar. Brevemente será resgatada e transportada para o pátio do km 5 da EFPP, onde os membros do IFPPC fazem a guarda, manutenção e operação da EFPP.

Fica aqui, então, este pequeno histórico desta tão importante locomotiva a vapor.




Agradecimentos a Alex Leão, Julio de Morais e Nilson Rodrigues.





sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Encontro Internacional em terras de Dumont.


Nesta ultima quarta feira, estive na cidade de Dumont, próximo a Ribeirão Preto junto dos amigos acima na foto, Thor Winbergs e Peter Manning. O Thor ja é velho amigo, mas ainda não conhecia Peter, apenas por internte trocando e-mails. Peter veio da Austrália para fazer um tour. Thor aproveitou sua estada a trabalho no Brasil para se dedicar mais um pouco as locomotivas daqui, como faz sempre que pode.
O interessante é que dois extrangeiros vem para ca atraz de nossas riquesas da história tecnológica.


A locomotiva ao lado, que foi a grande atração é uma 2-6-0 Baldwin de 05/1895, número de série 14275. Pertenceu ao Ramal Dumont sob número de estrada 4, e com seu fechamento foi comprada pela EFPP e renumerada para 12. Com o fechamento da EFPP em 1983, o município de Dumont conseguiu reave-la e coloca-la na praça da cidade, onde esta até hoje.
Foi um dia muito bom, pois o passeio até Dumont me fez refletir mais ainda a importancia do café e das locomotivas e trens para o desenvolvimento de São Paulo e do país, e me fez pensar mais ainda quanto descaso ainda ha, e quanto ainda haverá.
Foi um prazer conhecer pessoalmente o Peter, e um prazer estar nos dominios de Dumont, lar de um ramal magnífico em história e importância, cujo ja abordei alguns posts atraz. Agradeço também ao pessoal da prefeitura que nos acolheram muito bem e foram tão prestativos!
Pretendo voltar la em breve, mas desta vez para pesquisar. Adorei a cidade e suas caracteristicas peculiares ainda preservadas da antiga fazenda Dumont.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Videos de Bitolinhas...

Amigos,

Época de provas na faculdade, as pesquisas andam meio atrazadas, mas seguem dois pequenos videos feitos por mim. Um deles, na locomotiva 41 em São João del Rei (quando ainda trabalhava na FCA), em julho de 2010. O outro foi feito semana passada, pelo meu pai, me mostrando na condução da tatuzinho número 2 da EFPP.
Espero que gostem!

http://www.youtube.com/watch?v=Wmw_z_F6w0&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=BrdSufEYkXy&feature=related

abraços.