quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Chuvas, cheias e as bitolinhas.

O problema das grandes enchentes atualmente é tratado como um mal moderno, fruto de uma sociedade com maus hábitos, mas não é necessariamente bem assim que funciona. Desde sempre os rios enchem, e cobram de suar margens um certo espaço, por um período de tempo. Vejamos o caso do Rio Nilo e a antiga civilização egípcia, que dependia diretamente dessa região de várzea, e dependia de chuvas para essas várzeas inundarem.
As ferrovias também sofreram, e ainda sofrem, com essa situação. Na foto acima podemos ver o trem do ramal de Santa Rita cruzando a ponto sobre o rio Mogi Guaçu em direção a Porto Ferreira em tempo de cheia. Notem que o rio esta praticamente no mesmo nível da ponte. Imaginem os transtornos causados por uma cheia desse nível antes dos anos 50, onde tudo era mais difícil. Houve uma grande cheia em 1929 no Mogi, mas nada encontrei a respeito, que dissesse sobre danos a ferrovia, que, sem dúvidas, deve ter tido.
Vemos que esse problema de cheias é um "parceiro" antigo da sociedade, e tentamos despista-lo de vários modos, as vezes com sucesso, e as vezes não. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

A estação do Pântano.

A primeira postagem do vapor mínimo em 2012 não poderia ser melhor. Acima vemos uma foto muito rara, enviada via internet pelo amigo Ralph, onde vemos o Trenzinho da Aurora estacionado na mítica estação do Pântano, um importânte bairro rural de Descalvado. Até então, não haviam fotos conhecidas dessa estação.
A estação do Pântano tem para mim, uma importância sentimental grande, pois minha avó nasceu e cresceu neste bairro rural, e la viveu até se casar, quando veio para São Paulo, e aqui faleceu. Toda uma parte da minha família era de la, e muitos parentes, incluindo tios e tias - avós viveram la.
Esta estação foi fundada em 01/03/1891 e demolida logo com o fechamento do ramal em 1959. Ela possui características bem parecidas com a estação da Aurora. Em suas fundações fora erguida uma casa. Atuamlente não existe mais nada no que foi o bairro do pântano, e tudo tornou-se propriedade particular e foi cercada, a cana de açúcar dominou a paisagem. triste fim de um local tão próspero. "No caminho para o pântano, o trenzinho fazia uma grande curva e subia para poder desviar da cachoeira do pântano. Lembro também que perto desta cachoeira existia um armazém de secos e molhados onde se vendiam remédios. Na frente do armazém existia uma grande planície que era um brejão (este armazém ficava em terras da fazenda graciosa). A estação do pântano era comum, assim como a estação da Aurora, possuía um armazém ao seu lado que era para o embarque do café e grãos, a sua frente, possuía uma estradinha de terra e a casa do chefe da estação. Era muito bonito na estação, existiam grandes arvores de magnólia ao lado dela."  (relato de Sofia Arósio Franzin, extraido do livro "O Trenzinho da Aurora" - 2008).
Na foto, o trem que esta parada compreende 3 carros, sendo um composto )primeira e segunda classes) e dois de segunda classe. Os dois primeiros são de fabricação "Jackson Sons & Co.", construidos nos EUA em 1891, e o último, um carro de fabricação nacional "Cia Constructora" de 1888. era um domingo nessa foto, por isso da maior quantidade de carros na composição. Infelizmente não da pra ver a locomotiva e, provavelmente, também há um carro de correios e bagagens no trem.