terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Usina Esther

Fundada em 2 de junho de 1898 pelo grupo Nogueira de investidores, quando da compra de uma área de 6000 alqueires paulistas. Localizada na região de Campinas, próximo a cidade de Cosmópolis. Eram as terras de 4 fazendas, sendo elas, Fazenda do Funil, Fazenda da Grama, Fazenda São Bento e Fazenda Boa Vista. A do Funil era a maior delas e possuía um engenho de pinga como produção de 62000 litros de pinga por ano. O nome Esther é uma homenagem a esposa de um dos fundadores, Paulo de Almeida Nogueira. A usina possuía ligação com a Sorocabana (E. F. Funilense).
Possuía uma rede ferroviária própria, com 40 km de extensão em bitola de 60 cm. Haviam 5 locomotivas que compunham sua frota, dessas 4 eram de origem inglesa e 1 americana. Acredita-se que delas, 2 são oriundas do ramal de Serra Negra da C. Mogiana, uma 2-4-2 Sharp Stewart e uma 0-6-2 Baldwin.

A ferrovia possuía algumas obras de arte, como cortes, aclives/declives e pontes. Dessas ultimas, duas sobre o rio Jaguari e duas sobre o rio Pirapitingui. Uma das pontes sobre o Jaguari ligava os canaviais da cachoeira e do campo do muzim, era de cimento armada, a maior do município na época, e a outra era chamada de “ponte do funil”, próximo a cachoeira do funil, a qual originava o nome de uma das fazendas fundadoras (acredito também que origina o nome da E.F. Funilense). Sobre o Pirapitingui, a ponte vermelha ligando os canaviais de cardina e caramujo a usina, a outra era a ponte metálica, junto ao canavial do morro amarelo.


Cada composição carregava em media 50 toneladas de cana por vez que eram descarregadas direto na moenda. A usina possuía diferentes vagões tanque que carregavam água para os bois, já que o trajeto do canavial ao leito da ferrovia era feito em carros de boi. A usina também possuía um horto para seu consumo de lenha e dormentes.

(retirado do capitulo sobre a usina esther do livro "o ramal de serra negra, as bitolinhas da Cia Mogiana" de Leandro Guidini - em construção)


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Os trens da EFPP.

Esta é a ultima reportagem da série. Claro que muito pode ser falado ainda, aqui nestes artigos, apenas uma parte da história desta tão importante e rica ferrovia de bitolinha.
Faltará falar ainda da preservação, mas, atravéz do blog do amigo Cabredo (blog da EFPP oficial), todos podem ficar sabendo das novidades.
Falaremos agora dos trens que corriam na ferrovia. O calcario era a principal carga transportada. Outros produtos também corriam pela ferrovia, argila era a mais famosa delas. Esta era retirada no Km 6, no famoso "desvio da argila".


Os trens de carga passavam por uma operação interessante. Saiam de Cajamar e, chegando no corredor, eram desmembrados para seguir viagem na forte rampa do "corte grande", ou outra locomotiva era acrescida para auxiliar na subida. Ao chegarem na Fabrica, descarregavam e retornavam a cajamar. Basicamente isso.
Quanto ao trens de passageiros, segue agora uma transcrição do meu livro "O Trenzinho da Aurora"

"Os trens de passageiros tiveram sua vida de 1914 a 1974, eram conhecidos como os “mistos”, quase sempre eram simplesmente um carro de passageiros no fim da composição. Não havia a distinção de classes nos trens e apenas existia uma única classe. Os pequenos carros de passageiros possuíam bancos laterais. Não são incomuns as histórias dos antigos passageiros que diziam que os trens não paravam, tinham que correr e embarcar em movimento mesmo. Os maquinistas alegavam quem não podiam diminuir a marcha das locomotivas para não perderem o embalo nas subidas. Além da comunicação de Perus com Cajamar, o trem era muito utilizado por pescadores." (do livro "o trenzinho da aurora" - 2008 Leandro Guidini)
Esta era a Estrada de Ferro Perus Pirapora, com todo seu charme e romantismo, com seus pequenos trens que encantaram e encantam pessoas de todo o mundo. Abraço a todos os envolvidos, e salve a EFPP!
Até a proxima!

domingo, 5 de setembro de 2010

A estação de Entroncamento e o leito original.

Como ja vimos anteriormente, para que os investidores tivessem a autorização do governo na construção da ferrovia, deveriam chegar até Pirapora do Bom Jesus. Seria este um trem de romeiros e pescadores. Esta ligação jamais aconteceu. O local que foi escolhido para dar origem a um ramal para a, na épcoca, importante cidade de Santana do Parnaíba, foi chamado de "entroncamento". Podemos ver esta situação no mapa acima, onde o leito original da EFPP é contemplado.
A ferrovia sofreu inumeras mudificações em sua cosntrução, para que pudesse atender aos trens de calcário.
Uma dessas modificações foi a construção, em 1914, do minúsculo ramal de Entroncamento. A linha modificada fazia uma curva enorme a direita proximo ao bairro do Polvilho sentido gato preto. Seguindo para a esquerda havia este pequeno ramal que chegava a estação de mesmo nome.
Os trens de passageiros que, oficialmente somente deveriam chegar até ali, saiam de perus, entravam no ramal de entroncamento, la, revertia-se a locomotiva e o trem seguia viagem para o gato preto. Ao retornar de gato preto, o trem fazia esse mesmo caminho, ao contrário, com sentido para perus. Haviam 2 triângulos de reversão em entroncamento. Um na estação e outro na entrada do ramal, para justamente orientar a rota correta dos trens. Deste pequeno ramal que deveria sair o trecho que ligaria perus a Santana de Parnaíba.
Os trens, a estação e o ramalzinho duraram até 1974, quando foi suprimido o serviço regular de trens de passageiros na EFPP. Após isso, a estação foi fechada e os trilhos arrancados. Algum tempo depois a estação foi demolida, restando atualmente apenas suas fundações perdidas no meio do mato.
A estação era uma das unicas oficiais da ferrovia, e aparecia no "Guia Levi". Ela era utilizada como residência para a familia de um funcionário da estrada de ferro.
Era um predio normal, provido de uma pequena plataforma coberta. A mais saudosa lembrança desta estação era sua grande placa de madeira com o dístico "ENTRONCAMENTO". Segundo Nilson Rodrigues, esta placa foi guardada por anos em um galpão de Cajamar, juntamente com outras coisas da ferrovia, mas ha um tempo simplesmente sumiu.
(para saber mais e com detalhes, acesse - www.estacoesferroviarias.com.br/e/entroncamento-efpp.htm )