sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Inventário das Bitolinhas do Brasil 2 (76, 80 e 50 cm)

Nesta segunda parte, catalogarei, segundo o livro "Inventário das Locomotivas do Brasil", de Regina Perez, as locomotivas de bitolas 76, 80 e 50 cm.
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Locomotivas de 76 cm.
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São um total de 27 locomotivas nessa bitola no Brasil. O estado que mais acumula é Minas Gerais, com 16 locomotivas. Esse numero é devido a uma pericularidade, no complexo de São João del Rei, encontra-se a maior coleção de locomotivas BLW reunidas do mundo, esse assunto será abordado em outra reportagem especialmente para tal.
Novamente as locomotivas construidas pela Baldwin contam com a maioria. São elas:
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Estado - Quantidade
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MG..............16
PE................05
AL................03
SP................01
PR................01
MS...............01
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Fabricantes:
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Nesta proxima tabela, os fabricantes e a quantidade de locomotivas de cada um.
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Baldwin Locomotives Works........17
Orestain & Koppel.........................05
Krauss.............................................01
Jung.................................................01
Kerr Stuart.....................................01
Henschell.........................................01
Bagnall.............................................01
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Locomotivas de bitola 80 cm.
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Esta bitola, menos comum, teve sua maior frota em São Paulo, pela Cia Docas de Santos, numa maioria de fabricação Krauss. São 10 locomotivas no total.
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Estado - Quantidade
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SP..................04
MG................02
RJ..................01
RS..................01
PE..................01
ES..................01
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Fabricantes.
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Krauss..............................06
Orestain & Koppel..........01
Baldwin............................01
Jung.................................01
Hainaut...........................01
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Locomotivas de bitola 50 cm (industriais).
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Bitola incomum para trechos ferroviários longos, era mais utilizada em serviços dentro de fábricas, em um paralelo, como fazemos com empilhadeiras atualmente. Possuimos 3 exemplares dessas locomotivas no Brasil, em 3 estados diferentes.
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Estado - Quantidade
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SP.................01
PR................01
AL................01
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Fabricantes:
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Orestain & Koppel....02
Jung............................01
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Basicamente, estas são todas as locomotivas de bitolinha existentes no Brasil, em 4 bitolas diferentes. Um total de 115 locomotivas e 20 fabricantes diferentes. São Paulo lidera com 49 locomotivas, a o Baldwin lidera os fabricantes com 34 locomotivas.
Aguardem mais informações, e quam sabe um futuro livro "O Vapor Mínimo"...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Inventário da bitolinhas do Brasil 1 (60 cm)

Nesta primeira edição do "Inventário das bitolinhas do Brasil", com ajuda do livro quase homônimo da Memoria Ferroviária (Inventário das Locomotivas do Brasil - Regina Perez), consegui catalogar as locomotivas de bitola de 60 cm ainda existentes no Brasil.
Tenho duvidas de algumas informações no livro ainda, e pode ser que existam mais locomotivas ainda por ai, ou algumas delas com informações equivocadas. Porém, confiarei nas informações contidas no livro, que foi feito de maneira séria por profissionáis e estudiosos competentes, quais são meus amigos (A própria escritora, Regina Perez e o especialista Sérgio Mártire) que serve como boa base de estudos e pesquisas. recomendo a todos esse belo livro!
Vamos aos dados.
Na minha sub-pesquisa, das 419 locomotivas catalogadas (422 o total que eu conheço), 75 delas são em bitola de 60 cm (duas delas não estão catalogadas pelo inventário da MF), isso representa 17,7% do total. É um numero bem relevante apenas para elas. O estado de São Paulo concentra a maior parte delas, com 41 maquinas, 54,6%.
Os numeros são os Seguintes, na tabela abaixo.
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Estado - Quantidade de Locomotivas
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SP.......................41
RJ.......................07
MG.....................07
PR......................04
PE......................04
AL......................04
RS......................02
PA......................02
MS.....................01
RN.....................01
ES......................01
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Complementando esses dados, existem 3 locomotivas nesse índice que foram rebitoladas para 1 metro, 2 delas encontram-se em SP e uma no RJ. Tais maquinas pertenceram, respectivamente, a Cia Paulista, sob numero 921, compradas pela usina Serra Grande, em AL, rebitolada pra 1 metro sob novo numero de estrada 8, atualmente faz passeios em um parque na cidade de Taubaté, em SP. A outra esta em Osasco, de propriedade do Banco Bradesco, pertenceu a Estrada de Ferro Douradence e Cia Paulista. Foi rebitolada para 1 metro ainda na Cia Paulista, sob numero 861.
A terceira locomotiva que foi rebitolada encontra-se no RJ, pertence a um particular e esta em funcionamento. Originalmente essa locomotiva pertencia ao exército Americano, e foi vendida a usinas do rio, quando foi rebitolada, sob numero de estrada 62.
Dentre todas as pequenas locomotivas, o maior acervo pertence a Estrada de Ferro Perus Pirapóra, com 22 locomotivas (29,3%). Na ferrovia 20 locomotivas estão presentes, sendo que 2 delas estão "despatriadas" da ferrovia, uma no estado de Minas Gerais, em Além Paraíba, e outra na cidade de Dumont em SP.
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Fabricantes:
Diversos são os fabricantes, um total de 18 fabricas do mundo todo abasteceram as bitolinhas nacionáis, inclusive uma de fabricação nacional!
A esmagadora maioria é da Baldwin Locomotives Works, com 16 locomotivas, precedida da Orestain & Koppel / Decauville que, juntas somam 15 maquinas (11 e 4, respectivamente).
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Fabricante - Quantidade
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Baldwin........................16
O & K............................11
Kerr Stewart................08 (6 dessas da classe "wren")
Henschell.....................07
ALCO...........................05
Decauville....................04
N/D..............................05
Sharp Stewart............03
Linke Hoffmann.........02
H.K. Porter.................02
Borsig..........................02
Krauss.........................02
Jung............................02
Usina Monte Alegre..01
Hunslet.......................01
Le Meuse...................01
Bagnall........................01
Hohenzolern..............01
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Uma das locomotiva não catalogadas no livro da Regina, perteceu a Cia Paulista sob numero de estrada 920, fabricante Linke Hoffmann, numero de série 3084. Ela encontra-se na "fila da morte" em Cajamar - SP, e somente seu longerão existe, sem caldeira e sem mais nada! Junto dela, uma pequena mogul (2-6-0) de origem desconhecida, americana provavelmente, também não foi catalogada.
A princípio, são então 75 locomotivas com bitola de 60 cm no Brasil todo, 41 delas em SP, quase todas catalogadas pelo Inventário das Locomotivas.
Este é um artigo que cabe muitas fotos, mas manterei apenas textos, eles são auto-explicativos, quem sabe não sai um livro...
Aguardem a proxima postagem com o volume 2 do "inventário das bitolinhas do Brasil", 76 cm.

domingo, 5 de dezembro de 2010

A reversão Stephenson.

Bem, sem muitas delongas, o sistema Stephenson foi criado, como seu nome ja diz, por Robert Stephenson. Realmente não conheço a história de tal criação, é uma falha, concordo, mas ha tanto a se estudar sobre locomotivas a vapor que algumas coisas fogem ao nosso alcance.
O que posso dizer, tecnicamente, é que esse sistema é tão bom que foi largamente utilizado no planeta inteiro por diversos fabricantes de locomotivas a vapor.
É um sistema muito presciso, de fino ajuste "na marcha". É assim pois tem menos pontos de desgaste, perto de outros sistemas reversores. Menos desgaste, menos folgas, menos bateção de peças, etc.
O principio é o seguinte: São dois colares (ou violas, pois tem um formato parecido) presos em um exêntrico cada em cada lado do eixo, esses são ligados por pequenas bielas no "link" (ou quadrante), um em cima e outro em baixo. Um dos colares faz o movimento avante, e o outro o movimento à ré, dependendo da posição que ele esta. Esta posição quem define é a alavanca de marcha. Movendo-a para frente, coloca-se o link "para baixo", sofrendo influência de apenas um dos colares - de movimento avante. Movimenta-se a alavanda pra tráz, ela puxa o link pra cima sendo influênciado pelo outro colar. Não vou entrar no mérito de "recuar a marcha", mas quanto mais proximo ao centro a alavanca estiver, mais influênciado pelos dois colares o link estará, e menor será o movimento de abertura e fechamento das luzes de admissão na valvúla, isso regula a expansão do vapor no cilindro, basicamente assim. Poderiamos ainda falar sobre o recobrimento, sobre os tipos de barras cruzadas e suas afetações na admissão, sistemas externos utilizados pelas locs alemãs, etc etc... isso é tema pra tese de doutorado!
Voltando as peças, pois bem. No link encontramos o dado, ou cepo, ou galé, que é a peça que transmite o movimento de vai-e-vem para um outro conjunto de alavancas que, ai sim, movimentam a valvula deslizante sobre o cilindro, abrindo e fechando as luzes de admissão. Este dado esta conectado a uma peça que conheço pelo nome de "hoker", uma especie de manivela presa a um mancal, que é conectada a haste da válvula.
Parece tudo muito complicado, mas na verdade não é. Vide desenhos, compare as informações e nomes com os descritos no desenho, e imagine o movimento.
O desenho segue anexo ao do cilindro, visto em corte, para terem uma ideia de como são os cavernames da fundição, e por onde o vapor passa. Este cilindro tem sua valvula do tipo "slide" (deslizante). Esse nome deu origem ao abrasileiramento da coisa, que hoje escutamos generalizadamente por "cilaide". Portanto a "slide valve" tornou-se o brasileiro cilaide, simples!
Outra coisa que não podemos deixar de falar. O sistema Stephenson também evoluiu e caiu no obsoletismo, por um simples fato. Sua manutenção eram mais chata, ja que, em 90% deles eram internos ao longerão (chassis), e a maquina deveria sempre ir pra uma vala em uma oficina pra ser feita sua manutenção.
Quando o outro famosissimo sistema "Whashertz" foi colocado em ação, ele vinha com o advendo de ter todas as suas braçagens externas ao longerão. A manutenção poderia ser dada em qualquer lugar, em qualquer hora. O movimento deste é lindo, e classico, parece um balé mecânico, mas ele é mais impresciso pois tem mais pontos de atrito, só que isso é outra história.
Gosto dos dois tipos, são os mais classicos e os mais bonitos. Com o tempo, vou estudar mais e aprender mais sobre eles, Abraços!