segunda-feira, 14 de abril de 2014

The São Paulo Coffee Estates Company


(For english, please see below)
Corria o ano de 1893, quando em 5 de dezembro, Antônio Clemente Pinto Filho, o Conde de São Clemente, residente no Rio de Janeiro, compra uma porção de terras em solo paulista, compreendendo algumas fazendas cafeeiras, sendo as fazendas: Chanaan, Santa Olympia, Posses e São Joaquim.
Todas estas fazendas localizavam-se, na época, no município de São Simão, em zona mogiana, possuindo uma enorme produção de café. A grande demanda na produção leva ao fazendeiro a criação de uma ferrovia agrícola, ligando parte de suas fazendas aos trilhos da Cia Mogiana de Estradas de Ferro (CM), em sua estação mais próxima, de “Serra Azul”, que em 1898 altera seu nome para “Canaã”, de modo que não houvesse confusão com a nova estação da Estrada de Ferro São Paulo Minas, mais próxima à cidade de Serra Azul.  A ferrovia correria toda dentro da zona de privilégio da CM, desta forma, em 19 de novembro de 1895 fora lavrada uma escritura no segundo Tabelião do publico judicial de notas da cidade de Campinas entre o presidente da CM, Barão de Ataliba Nogueira, e o procurador do Conde de São Clemente, Conselheiro Rodolpho Epiphanio de Sousa Dantas.


Fotografia mostrando a fazenda Canaã. É possível observar o trem ao centro da imagem, reproduzido no recorte abaixo. Neste trem vemos uma das locomotivas, 6 vagões e um pequeno carro de passageiros. Sem data e Autor, foto pertencente a Leandro Guidini. (Photograph showing the Canaan farm. You can watch the train to the center of the image reproduced on the clip below. In this we see a train locomotives, 6 wagons and a small passenger car. Author and undated photo belongs to Leandro Guidini.)
As clausulas desta escritura levavam em conta o seguinte: Que ficava autorizado o Conde a construção de um tramway agrícola em bitola de sessenta centímetros, com tração a vapor, denominada “Estrada de Ferro São Clemente” (EFSC), partindo da estação de Serra Azul passando pelas propriedades “Santa Olympia”, “São Joaquim“ e “Chanaan”; Ficaria a CM incumbida de conceder frete de transporte do material da ferrovia entre Campinas e Serra Azul com 50% de abatimento, além de 20% estipulado para material fixo e rodante, pelo mesmo percurso; A CM pagaria subsídio de 8 mil reis por tonelada despachada pela EFSC; Construiria, a CM, em sua estação, os desvios e dependências necessárias para a EFSC, sendo que, dentro deste espaço, estariam todos os funcionários do ramal sujeitos às normas e leis vigentes da CM; Ficaria a CM concedente do uso da água para abastecimento das locomotivas, tomadas de sua estação, com um encanamento de 1 polegada de diâmetro, com instalação por conta da EFSC; Ficaria a EFSC proibida de transportar mercadorias ou despachos em qualquer sentido, de concorrentes da CM, com multa imediata de um frete entre Campinas e Serra Azul; Ficaria a CM privilegiada no caso de venda do ramal, somente sendo possível a venda para terceiros caso a CM desistisse da compra, sendo os futuros donos incumbidos de cumprir a todas as clausulas vigentes da escritura; Deveria o ramal ser construído em um ano, a contar da assinatura da escritura, caso contrário a mesma perderia validade; Não poderia a EFSC se prolongar ou construir ramais sem a devida autorização e consentimento da CM; Todo o despacho executado pela EFSC deveria ser feito exclusivamente pela linha da CM, entre Campinas e Ribeirão Preto, com efeito de, caso houvesse descumprimento, imediatamente seria a CM dona do ramal, pelo valor de base da renda dos últimos três anos anteriores, com juros de 7%.


Estação de Chanaã, de onde partia a SPCE. Album da Cia Mogiana de 1910, acervo Museu da Cia Paulista em Jundiaí. Chanaã station, where the SPCE start. 

A ferrovia possuía 23 quilômetros de extensão, 3 locomotivas, 12 vagões de carga e 4 carros de passageiros e um pequeno ramal para extração de lenha, que cruzava por baixo do ramal de Jataí, da CM (veja uma interessante matéria sobre este ramal aqui). Partia da estação de Canaã no sentido sul, serpenteando as colinas para atingir as fazendas. Operou como EFSC de 1895 à 1897, quando é vendida juntamente das fazendas que atendia para uma nova empresa.


Recorte da carta topográfica mostrando parte da SPCE. Mapa - Arquivo Publico do Estado de SP. (Cut out the topographical map showing part of SPCE. Map - Public Archive of the State of São Paulo.)

EM 21 de abril de 1897, é formada em Londres uma empresa denominada “The San Paulo Coffee Estates Company Limited” (SPCE), com capital de 270 mil Libras Esterlinas, servindo para que os Srs Schröder Gebrüder & Company comprassem as propriedades Santa Olympia, São Joaquim e Chanaan, possibilitando também arrendamentos de armazéns, plantações, maquinas, ferramentas, acessórios e terrenos no Brasil, para diversos outros serviços. A empresa teve escritura lavrada em Londres em 27 de abril de 1897, assinada pelo Tabelião Jonh Venn, e assinatura reconhecida pelo vice-cônsul Luiz Augusto da Costa em 5 de maio de 1897 no consulado da Republica dos Estados Unidos do Brasil em Londres e, finalmente, reconhecida no Brasil em 14 de junho de 1897 pelo diretor geral L. P. da Silva Rosa, no Estado do Rio de Janeiro. Pela letra “f” da terceira clausula da escritura da SPCE, ela poderia manter e explorar qualquer caminho ou estrada, entrando, desta forma, a antiga EFSC na negociação.
Pelo decreto número 2535 de 28 de junho de 1897, o poder Judiciário do Governo Brasileiro concede a SPCE autorização para funcionamento na República, com artigo único: “É concedida autorização à The S. Paulo Coffee Estates Company Limited” para funcionar na Republica, limitando-se, porém, à exploração de fazendas de café que adquirir no Estado de S. Paulo, sob as cláusulas que com este baixam, assignadas pelo Ministro do Estado da Indústria, Viação e Obras Publicas, e ficando os outros serviços mencionados nos respectivos estatutos dependentes de nova autorização do Governo Federal. Capital Federal, 28 de julho de 1897. 9º da Republica. Prudente J. de Morais Barros”  (DOU, número 190, 16/07/1897 – página 1).

A ferrovia operou comercialmente como SPCE desde 1897 até 1939, chegando a se destacar como a 4ª maior produtora de café do Estado, com produção de 300 mil arrobas de café por safra. Em 1939, a empresa foi vendida a um grupo nacional denominado “Cia Brasil Rural S/A”, que desativou a ferrovia, sucateando todo seu material. Sobre as fazendas neste período após 1939, nada foi encontrado. (Leandro Guidini escreveu em abril de 2014)


Tabela publicada em jornal demonstrando os maiores produtores de café do País, a SPCE vem em quarto lugar. Jornal Estado de São Paulo, 21/06/1909, página 3. (Table published in a newspaper showing the largest producers of coffee in the country, the SPCE comes fourth. Estado de São Paulo, 06/21/1909, page 3)


The year was 1893, when on December 5, Antonio Clemente Pinto Filho, the “BArão de São Clemente), resident in Rio de Janeiro , to buy a portion of land in São Paulo, comprising some coffee farms , and farms : Chanaan , Santa Olympia , Posses and São Joaquim.
All these farms were located at the time in the municipality of São Simão in mogiana area, having a huge coffee production. The great demand in production leads to the creation of a farmer agricultural railroad linking part of their farms on main line of Mogiana Railway ( CM ), at your nearest station, " Serra Azul ", which in 1898 changes its name for " Canaan ", so that there was confusion with the new season of the São Paulo – Minas Railroad, the nearest town of Serra Azul. The entire run railroad within the privilege of the CM area, this way in November 19, 1895 a deed drawn out in the second judicial Notary public notes of Campinas between the President of CM , Barão Ataliba Nogueira, and Attorney the Barão de São Clemente, Councillor Epiphanio Rodolpho de Sousa Dantas.
The clauses of this deed took into account the following: What was the Earl authorized the construction of an agricultural tramway gauge on two feet, with steam traction, called " Estrada de Ferro São Clemente " ( EFSC ), starting at the Serra Azul station passing the " Santa Olympia ", " São Joaquim " and " Chanaan " properties; Would be required to provide freight transport of material from railroad between Campinas and Serra Azul with 50% abatement CM, plus 20 % stipulated for fixed and rolling stock, by the same route; The CM would pay allowance $8000 per tonne kings dispatched by EFSC; Build, CM, in its season, and the branchs necessary dependencies for EFSC, and, within this space, all employees would be subject to the extension of current rules and laws of CM; CM would be the grantor of the use of water for supply of locomotives, taken from his station, with a pipe 1 inch in diameter, with installation due to the EFSC; Would be prohibited from transporting goods or decrees in any sense of CM's competitors, with immediate fine of freight between Campinas and the Serra Azul; Would the prime CM in case of sale of the extension, only being possible sale to a third party if the CM gave up the purchase, the future owners being responsible to comply with all applicable clauses of the deed; Should the extension be built in a year, following the signing of the deed, otherwise the same would lose validity; Could the EFSC extend or build extensions without permission and consent of CM; The entire order executed by the EFSC should be done exclusively by the CM line, between Campinas and Ribeirao Preto, in effect, if there was breach, immediately would be the owner of CM extension, the base value of the income of the last three previous years , with 7% interest.
The railroad had 23 quilometers long , 3 locomotives , 12 freight cars and 4 passenger cars and a small extension for the extraction of firewood, crossing underneath the Jataí branch from CM (see an interesting story about this extension on http://www.efpaulista.blogspot.com.br/2014/04/arqueologia-ferroviaria-ramal-de-jatai.html ). Started from Canaan station southbound, winding hills to reach the farms. Operated as EFSC 1895 to 1897, when it sold along the farms that catered to a new company.
ON April 21, 1897, is a company formed in London called "The San Paulo Coffee Estates Company Limited " ( SPCE ) with capital of $270 000, serving to Messrs. Schröder Gebrüder & Company bought the Santa Olympia properties , São Joaquim and Chanaan also allowing leases for warehouses, crops, machinery, tools, accessories and land in Brazil for many other services. The company had deed drawn up in London on April 27, 1897, signed by the Notary John Venn, and recognized by the vice consul Luiz Augusto da Costa on May 5, 1897 at the Consulate of the Republic of the United States of Brazil in London and signature, ultimately recognized in Brazil on June 14, 1897 by CEO L. P. da Silva Rosa, State of Rio de Janeiro. By the letter "f" in the third clause of the deed of SPCE, she could maintain and explore any path or road, entering thus the former SFE in trading.
By decree number 2535 of June 28, 1897, the Judicial power of the Brazilian Government grants SPCE authorization to operate in the Republic, with single article: " Permission is granted to “The S. Paulo Coffee Estates Company Limited " to operate in the Republic , limiting it is, however, the exploitation of coffee plantations that acquire in the State of S. Paulo, under the clauses with this fall, signed by the Minister of State for Industry, Transportation and Public Works, and getting the other services mentioned in the articles dependent release of the new Federal Government. Capital Federal , July 28, 1897. 9º of the Republic. J. Prudente de Morais Barros " ( Gazette , number 190 , 07/16/1897 - page 1 ).
The railroad operated commercially as SPCE from 1897 to 1939 coming to stand out as the 4th largest coffee producer in the State, with production of 4.500.000 kilos of coffee per harvest. In 1939, the company was sold to a national group called " Cia Rural Brazil S / A ", which disabled the railroad recycling all your stuff. On farms in this period after 1939, nothing was found. (Leandro Guidini wrote in April 2014)

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