Trem do ramal partindo de Santa Rita para Porto Ferreira em 1956
O
Ramal de Santa Rita do Passa Quatro surgiu no final do século XIX como parte da
estratégia de expansão da Companhia Paulista de
Estradas de Ferro para fortalecer sua posição econômica e enfrentar a
concorrência da Companhia Mogiana de Estradas de
Ferro e da Rio Clarense. Inspirada em modelos anteriores, como o ramal descalvadense, a Paulista incentivou a criação da Cia Ramal Férreo de Santa
Rita em 1889, garantindo apoio técnico e contratual para a construção da linha
que partiria de Porto Ferreira até Santa Rita do Passa Quatro. Mesmo diante de
questionamentos da Mogiana quanto à zona de privilégio, acordos foram firmados
permitindo a execução da obra, que começou a operar provisoriamente em 1890,
com 27 km de extensão e estrutura modesta, porém eficiente. A
nova ferrovia apresentou resultado financeiro positivo já nos primeiros meses,
o que motivou sua compra definitiva pela Paulista em 1891. A partir daí, a
companhia promoveu melhorias operacionais e estruturais, incluindo aquisição de
material rodante e construção de estação intermediária. No início do século XX,
fazendeiros locais, interessados em facilitar o escoamento do café,
impulsionaram o primeiro grande prolongamento da linha, autorizado em 1911 e
concluído em 1913, alcançando novas estações como Santa Olívia e Moema. A
expansão consolidou o ramal como importante eixo agrícola regional,
especialmente para o transporte de café.
Na década de 1920, o crescimento produtivo além de
Moema levou a novos estudos e à ampliação até Vassununga, atendendo inclusive a
instalação de uma usina de açúcar. Inaugurado em 1928, o trecho elevou a
extensão total do ramal para cerca de 47 km, seu ponto máximo de
desenvolvimento. Para suprir a demanda, foram adquiridas locomotivas mais
potentes, incluindo modelos alemães da Linke-Hofmann-Werke.
Apesar da crise do café e das oscilações econômicas, a substituição gradual da
lavoura cafeeira pela cana-de-açúcar manteve o ramal ativo por algumas décadas,
ainda que com dificuldades crescentes.
Trem chegando à Vassununga nos anos 50
Entretanto, a
partir da década de 1950, políticas federais de erradicação de linhas
antieconômicas e a mudança da matriz de transportes para o modal rodoviário
decretaram o declínio definitivo da ferrovia. Em 1960 foi autorizada sua
supressão, com retirada dos trilhos e encerramento das operações. Parte do
leito tornou-se estrada de terra, e o material rodante foi vendido ou
sucateado. Hoje restam poucos vestígios físicos do antigo ramal, como o prédio
da estação de Santa Rita — que abriga o Museu
Histórico Zequinha de Abreu — e a estação de Bento Carvalho, preservando
a memória de uma ferrovia que desempenhou papel relevante no desenvolvimento
agrícola regional.
(Leandro
Guidini escreveu - 11/2016)
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