sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O ramal de Santa Rita do Passa Quatro


Trem do ramal partindo de Santa Rita para Porto Ferreira em 1956

O Ramal de Santa Rita do Passa Quatro surgiu no final do século XIX como parte da estratégia de expansão da Companhia Paulista de Estradas de Ferro para fortalecer sua posição econômica e enfrentar a concorrência da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e da Rio Clarense. Inspirada em modelos anteriores, como o ramal descalvadense, a Paulista incentivou a criação da Cia Ramal Férreo de Santa Rita em 1889, garantindo apoio técnico e contratual para a construção da linha que partiria de Porto Ferreira até Santa Rita do Passa Quatro. Mesmo diante de questionamentos da Mogiana quanto à zona de privilégio, acordos foram firmados permitindo a execução da obra, que começou a operar provisoriamente em 1890, com 27 km de extensão e estrutura modesta, porém eficiente.
A nova ferrovia apresentou resultado financeiro positivo já nos primeiros meses, o que motivou sua compra definitiva pela Paulista em 1891. A partir daí, a companhia promoveu melhorias operacionais e estruturais, incluindo aquisição de material rodante e construção de estação intermediária. No início do século XX, fazendeiros locais, interessados em facilitar o escoamento do café, impulsionaram o primeiro grande prolongamento da linha, autorizado em 1911 e concluído em 1913, alcançando novas estações como Santa Olívia e Moema. A expansão consolidou o ramal como importante eixo agrícola regional, especialmente para o transporte de café.

Na década de 1920, o crescimento produtivo além de Moema levou a novos estudos e à ampliação até Vassununga, atendendo inclusive a instalação de uma usina de açúcar. Inaugurado em 1928, o trecho elevou a extensão total do ramal para cerca de 47 km, seu ponto máximo de desenvolvimento. Para suprir a demanda, foram adquiridas locomotivas mais potentes, incluindo modelos alemães da Linke-Hofmann-Werke. Apesar da crise do café e das oscilações econômicas, a substituição gradual da lavoura cafeeira pela cana-de-açúcar manteve o ramal ativo por algumas décadas, ainda que com dificuldades crescentes.

Trem chegando à Vassununga nos anos 50

Entretanto, a partir da década de 1950, políticas federais de erradicação de linhas antieconômicas e a mudança da matriz de transportes para o modal rodoviário decretaram o declínio definitivo da ferrovia. Em 1960 foi autorizada sua supressão, com retirada dos trilhos e encerramento das operações. Parte do leito tornou-se estrada de terra, e o material rodante foi vendido ou sucateado. Hoje restam poucos vestígios físicos do antigo ramal, como o prédio da estação de Santa Rita — que abriga o Museu Histórico Zequinha de Abreu — e a estação de Bento Carvalho, preservando a memória de uma ferrovia que desempenhou papel relevante no desenvolvimento agrícola regional.

(Leandro Guidini escreveu - 11/2016)

Nenhum comentário:

Postar um comentário